Artigos
Comentários

030708

simplesmente não melhora. segundo a segundo pior. mais confuso. não sentir o chão sob os pés. o chão que eu piso. vazio de tudo. horasdias passando. e nada vezes nada vezes nada. algum prazer quando com os amigos. relembrando velhas histórias. mas é como se apartado de tudo. das pessoas das coisas de tudo. incapaz de sentir. exceto tristeza. saudades de quando meus problemas restringiam-se à falta de grana. tão mais simples. um e-mail não respondido. um pagamento atrasado. esses eram os problemas. fichinhas. agora? de lugar nenhum. a caminho do nada. me sentindo como se. e horrivelmente gordo e estupidamente por fora e babacamente babaca. para além da tristeza. gratuito. porque a tristeza pode ser motivadora. ganas de meter um balaço na cabeça, por exemplo. nem isso comigo. nulo.

Encontros de Literatura Contemporânea

No final de julho, participarei dos Encontros de Literatura Contemporânea, em São Paulo. Os encontros acontecerão na Casa Mário de Andrade. Debaterei com Ivana Arruda Leite e Yuri Vieira sobre o tema “conto” no dia 23 de julho, às 20 horas. Furtei os detalhes e a programação do Digestivo Cultural. Confiram:

Qual é a literatura que se pratica no Brasil, desde os anos 2000, com a chegada da internet no País? Quem são os principais autores dessa safra e quais os seus livros? Além da ligação, mais ou menos intensa, com o Web, qual outra característica permeia sua produção? Como esses autores dialogam com a tradição da literatura brasileira? Como surgiram, como divulgaram seus trabalhos e como viabilizam sua escrita hoje? Como é, afinal, ser autor agora?

Proposta
A partir das duas bem-sucedidas edições do “Palavra na Tela” (2007 e 2008), inaugurar uma nova série dedicada à literatura brasileira contemporânea, discutindo a produção atual em seus mais conhecidos formatos: romance, conto, poesia e crônica. Na penúltima semana de julho de 2008: terça (22), quarta (23), quinta (24) e sexta-feira (25), sempre às 20 horas, na Casa Mário de Andrade**.

Terça-feira, 22/7, às 20 hs. — “Romance”
* Miguel Sanches Neto: escritor paranaense e crítico literário, autor de Chove sobre minha infância, Herdando uma biblioteca e A primeira mulher;
* Flávio Izhaki: autor de De cabeça baixa (pela Editora Guarda-Chuva), considerado pelo jornal O Globo como sua aposta literária na nova geração de autores nacionais;
* Luis Eduardo Matta: autor de 120 Horas (editora Planeta) e Morte no Colégio (retomando a Série Vaga-Lume), criador do manifesto pela Literatura Popular Brasileira (LPB).

Quarta-feira, 23/7, às 20 hs. — “Conto”
* Ivana Arruda Leite: autora de Falo de Mulher (Ateliê Editorial) e de Ao homem que não me quis (Agir), ex-colunista da Revista da Folha;
* André de Leones: vencedor do Prêmio SESC de Literatura, autor de Hoje Está um Dia Morto e Paz na Terra Entre os Monstros;
* Yuri Vieira: autor de A Tragicomédia Acadêmica — Contos Imediatos do Terceiro Grau e roteirista de Espelho, seu primeiro curta-metragem.

Quinta-feira, 24/7, às 20 hs. — “Poesia”
* Flávia Rocha: autora de A Casa Azul ao Meio-Dia, editora de poesia para a revista americana Rattapallax, e diretora do Programa de Criação Literária da AIC;
* Douglas Diegues: autor de Dá gusto andar desnudo por estas selvas — sonetos salvajes (Travessa dos Editores), mantém o blog Portunhol Selvagem;
* Annita Costa Malufe: autora de Nesta cidade e abaixo de teus olhos, é formada em jornalismo pela PUC-SP, doutorada em teoria literária pela Unicamp.

Sexta-feira, 25/7, às 20 hs. — “Crônica”
* Antonio Prata: colunista quinzenal do Guia do Estadão, colunista da revista Capricho, autor de As Pernas da Tia Corália (Objetiva);
* Fabrício Carpinejar: autor de Meu Filho, Minha Filha e O Amor Esquece de Começar, entre onze livros publicados;
* Elisa Andrade Buzzo: autora de Se lá no sol (7 Letras), co-edita da revista de literatura e artes visuais Mininas.

Para ir além
** Casa Mário de Andrade — Rua Lopes Chaves, nº 546 — Pacaembu — 22, 23, 24 e 25 de julho de 2008 — A partir das 20hs. — Grátis — Sempre com mediação do Editor do Digestivo Cultural — Inscrições: 11 3666-5803 ou pelo e-mail.

Scliar, Eugenia e os diálogos

Há alguns dias, o escritor Moacyr Scliar causou certa polêmica no Festival da Mantiqueira ao afirmar que bons escritores não abusam dos diálogos em seus livros. Eu tinha lido a respeito no Todoprosa e deixado de lado. Bobagem, pensei. Então, a Eugenia Zerbini escreveu sobre isso para o Digestivo Cultural e chamou a minha atenção para um detalhe: Scliar integrou a comissão final do Prêmio Sesc de Literatura 2005, que premiou o meu romance “Hoje está um dia morto”. Detalhe: “Hoje está um dia morto” é repleto de diálogos.

Trechos do texto da Eugenia (leia na íntegra AQUI):

O acadêmico Moacyr Scliar defendeu com unhas e dentes que um bom autor poupa o leitor dos diálogos. Na literatura, quanto menos diálogo, melhor. Autores mais experientes conhecem a qualidade da obra pela ausência de diálogos. Fazem o teste da mancha da folha: quanto mais compacta, mais literatura.

(…) Scliar ficou irredutível: poucos escritores utilizam bem o diálogo, por isso a regra é que literatura de qualidade não tem diálogo.

Os ingleses têm como regra que the proof of the pudding is in the taste (”a prova do pudim está em prová-lo”, mais ou menos assim para preservar a rima). Scliar que, como jurado de inúmeros concursos literários, revelou desprezar sem ler originais reprovados na prova da mancha, elegeu, em parceria com Luiz Antonio de Assis Brasil, em 2005, Hoje está um dia morto, como o vencedor do Prêmio SESC Literatura, na categoria romance. O livro de André de Leones é cheio de diálogos. Scliar, que assina uma das capas, certifica que se trata de um livro surpreendente. Participante de concursos literários, não levem a sério certas afirmações categóricas!

300608

muitos rostos conhecidos. quase todos. espanha um a zero. alegria sincera em me ver. abraços e silêncios significativos. dói quando fecho os olhos. um dia aberto meio quente. malas abertas. organizar as coisas. um computador no meu quarto. passar o romanção pra ele e trabalhar e não pensar em mais nada por um tempo.

290608

vinte horas viajando. coxinha em ourinhos, diarréia em itumbiara. mamãe mais gorda dizendo você engordou. goiânia amanhecendo. feira hippie atravancando o trânsito. uma água mineral por favor. o sol na cara no restante da viagem. terrarrasada: sem chuva há dois meses. amarelo feito o sol. silvânia entreburacos. nenhum rosto conhecido. milasaudades. sobrevivendo.

270608

então. embarco amanhã cedo. sylvannya depois catalão depois são paulo. e depois? não sei de mais nada. não consigo imaginar coisa alguma, visualizar, planejar. nada, coisa alguma. dizem que o tempo diz tudo. então. o tempo vai dizer se tomamos a decisão certa. o tempo vai dizer se é isso mesmo ou o quê. se for o caso, voltaremos. se for o caso, explodiremos. de uma forma ou de outra, sobreviveremos.

- Próxima Página »