Scliar, Eugenia e os diálogos
Enviado em 1 de Julho de 2008
Publicado por André de Leones | Enviar por e-mail
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Há alguns dias, o escritor Moacyr Scliar causou certa polêmica no Festival da Mantiqueira ao afirmar que bons escritores não abusam dos diálogos em seus livros. Eu tinha lido a respeito no Todoprosa e deixado de lado. Bobagem, pensei. Então, a Eugenia Zerbini escreveu sobre isso para o Digestivo Cultural e chamou a minha atenção para um detalhe: Scliar integrou a comissão final do Prêmio Sesc de Literatura 2005, que premiou o meu romance “Hoje está um dia morto”. Detalhe: “Hoje está um dia morto” é repleto de diálogos.
Trechos do texto da Eugenia (leia na íntegra AQUI):
O acadêmico Moacyr Scliar defendeu com unhas e dentes que um bom autor poupa o leitor dos diálogos. Na literatura, quanto menos diálogo, melhor. Autores mais experientes conhecem a qualidade da obra pela ausência de diálogos. Fazem o teste da mancha da folha: quanto mais compacta, mais literatura.
(…) Scliar ficou irredutível: poucos escritores utilizam bem o diálogo, por isso a regra é que literatura de qualidade não tem diálogo.
Os ingleses têm como regra que the proof of the pudding is in the taste (”a prova do pudim está em prová-lo”, mais ou menos assim para preservar a rima). Scliar que, como jurado de inúmeros concursos literários, revelou desprezar sem ler originais reprovados na prova da mancha, elegeu, em parceria com Luiz Antonio de Assis Brasil, em 2005, Hoje está um dia morto, como o vencedor do Prêmio SESC Literatura, na categoria romance. O livro de André de Leones é cheio de diálogos. Scliar, que assina uma das capas, certifica que se trata de um livro surpreendente. Participante de concursos literários, não levem a sério certas afirmações categóricas!